Para encontrar um amor
Não procure na flor, nem no espinho
Mas naquele, que num gesto de carinho
Te oferece a rosa com a face em rubor
Para encontrar um amor
Não procure na dor, nem no sofrimento
Mas naquele que sempre atento
Te faz sorrir num dia sem cor
Para encontrar um amor
Não procure no calor do sexo fugaz
Mas sim naquele que te satisfaz
Com uma palavra, um olhar sedutor
Para encontrar um amor
Não procure a beleza vazia
Mas sim a alma, eterna de poesia
Mesmo quando a idade se for
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 10 de maio de 2012
A última arte
Já não eram mais válidas as tentativas de burlar os caminhos rotineiramente traçados. A ilusão de ser livre havia se desfeito lenta e gradativamente, mas era visível, embora tentar enganar-se fosse parte de sua estratégia de sobrevivência.
Olhando de sua varanda os transeuntes apressados a passar nas ruas, via-os como estrelas solitárias. Reis do seu umbigo, senhores de um feudo imaginário com meio metro de diâmetro.
Outrora pensara estar livre dessa jaula confortável. Afinal a arte transporia qualquer muro.
Porém havia virado escravo do que mais temia, um funcionário perfeito a serviço de sua própria fábrica. Arte produzida em massa, linha de montagem. Tão fria e vazia quanto o copo que segurava nas mãos trêmulas.
Precisava colocar-se acima disso tudo.
Num gesto mal pensado, lançou-se aos céus, esperando uma última redenção.
Cravou o corpo no asfalto, e ali enfim, compôs sua última arte libertária tão desejada.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Pedaços de nós
O nada que sou
Quis um dia
Ser algo para você
Por que tudo teu
Me dizia
Aquilo que eu queria ter
Mas percebi porém
Algo que eu nem sabia
Cada pedaço de nós
Forma um todo
Partes da mesma fatia
Quis um dia
Ser algo para você
Por que tudo teu
Me dizia
Aquilo que eu queria ter
Mas percebi porém
Algo que eu nem sabia
Cada pedaço de nós
Forma um todo
Partes da mesma fatia
domingo, 23 de agosto de 2009
Li
quinta-feira, 9 de abril de 2009
A rua da vida

Hoje, caminhando pela rua, absorto em pensamentos nostálgicos, escutei uma voz extremamente familiar me chamando. Olhei por sobre meu ombro, e vi um guri de calças curtas, descalço, com um sorriso inocente e lindo estampado no rosto.
Imediatamente reconheci o moleque que me chamava. Não era outro que senão eu mesmo. Sim, eu criança, lá do passado, chamava o homem de hoje. Sem hesitar, meu “eu criança” perguntou: “O que você fez de bom nesses anos todos?”
Aparentemente uma pergunta fácil, mas será que fiz algo que realmente tenha valido à pena?
Então enumerei alguns fatos. Fui um bom filho, nunca incomodei meus pais, sempre fui bem na escola, fiz uma faculdade aprovada por eles. Fiz muitos amigos, tive namoradas, me casei com uma delas.
Fui um bom marido até hoje, penso eu. Nunca brigamos, nem nunca dei motivos para magoá-la. Ou será que dei?
Notei uma expressão de desapontamento no rosto infantil que mirava-me esperançoso por mais coisas boas. Pensei comigo: “mas parece que foi ontem”. E o menino, como a ler meus pensamentos, de pronto respondeu: “mas não foi ontem, muito tempo se passou. O que você fez de bom em todo esse tempo?”.
Será que fui mesmo um bom filho? Será que estive junto de meus pais quando precisaram? Trouxe uma palavra de conforto naquele momento em que a situação era difícil, ou simplesmente reclamei por que não ganhei aquele presente caro? E meus amigos? Será que dei meu ombro para eles chorarem quando tanto precisaram, ou fui só eu que busquei um confidente, um conselheiro que só me disse o que eu queria ouvir?
Minha esposa. Essa eu tenho certeza que sempre estive junto dela, passamos por tantos momentos difíceis, construímos tanta coisa juntos. Mas será que ela é uma pessoa realizada? Ou viveu esses anos todos à minha sombra, tentando ser perfeita para mim, enquanto eu buscava perfeição em outras?
Percebi que havia tanto a ser feito. Agradeci por ainda estar vivo, com saúde, para poder consertar meus erros. Fazer todas as coisas boas que aquele menino lá atrás no passado sonhou, e que o homem esqueceu. Olhei para aquela rua a minha frente e vi portas que eu deveria adentrar para dar um “olá“. Vi pessoas sentadas no chão que eu precisava ajudar. Vi pessoas conhecidas que ansiavam por meu “bom dia”. Coisas que não fiz naquele trecho de rua do meu passado. Por estar ocupado demais, por não precisar, ou simplesmente por não querer.
Olhei para o lado e vi uma mão estendida, procurando a minha. Segurei aquela mão e busquei os olhos da minha companheira. Minha esposa bondosa, como sempre, dava-me uma nova chance, para seguirmos juntos, não como meros amigos morando sob o mesmo teto, mas como companheiros, para todos os momentos, cúmplices amantes.
Nesse momento, olhei em frente, e vi que uma pessoa mais velha, caminhava devagar pela mesma rua que nós. O senhor parou, como se tivesse ouvido um chamado, e virou para trás, fitando meu rosto. Sua face enrugada, castigada pelo tempo, era muito familiar também.
Sim, aquele idoso era eu. Naquele momento em que pensei em fazer um novo futuro, foi minha vez de chamar o meu “eu mais velho“. E perguntei, ansioso pela resposta:”O que você fez de bom?”
O velho sorriu, e respondeu:”Não sei, isso só depende de você”.
Percebi assim, que o futuro é hoje, e que nós o fazemos. Não podemos passar a vida esperando ela passar por nós. Nós devemos é passar pela vida dos nossos entes queridos, ajudando essa vida a ser mais feliz, mais plena. Se existirmos nesse mundo como alguém que fez a vida dos outros a sua volta mais feliz, então nossa existência terá sido boa, terá valido à pena.
sábado, 10 de janeiro de 2009
O primeiro beijo

Já senti muitas emoções na vida. Tocar num show para milhares de pessoas ou ouvir uma música minha no rádio. Surfar uma onda grande sem ninguém na praia, com o dia amanhecendo...Ou até mesmo algumas conquistas materiais, como o primeiro carro zero, ou a primeira casa própria. São momentos que emocionam até quando lembro deles. Filhos ainda não tive, só imagino o quão emocionante deve ser.
Mas o primeiro beijo, esse para mim sempre é um momento inesquecível. Não falo daquele primeiro beijo de todos, quando a gente é quase criança, na amiguinha da escola, numa festinha. Refiro-me àquele primeiro beijo apaixonado, que tem toda aquela expectativa, aquele frio na barriga. Esse não tem preço.
Sabe quando você já conhece a pessoa a um certo tempo, já está super envolvido e fica imaginando quando vai ser a primeira vez que vai beijar ela? Aí pintam aquelas inseguranças: será que vou ter coragem? E se ela não quiser? E se ela não gostar?
Aí você está junto com a pessoa, às vezes rindo, falando besteira, quando de repente pinta aquele clima, aquele silêncio, a troca de olhares, a aproximação. O coração acelera, uma boca em direção à outra, num movimento sem volta, como se um imã nos puxasse em busca do prazer, do momento perfeito. Então os lábios se tocam e tudo pára. Não há mais pessoas por perto, nem carros na rua, nem tristezas, dívidas, contas. O mundo pára em um beijo.
Nesse momento, duas pessoas se pertencem, mesmo que por pouco tempo. Há uma entrega ali, não só física, mas principalmente de alma. Talvez possa parecer um exagero, mas quem já sentiu isso sabe que é assim. E quem não sentiu algo assim, nunca amou. O beijo com amor, é uma das coisas mais emocionantes da vida. Claro que o sexo, depois, poderá vir. E ser melhor ainda. Mas tudo começa com aquele beijo. Ali é possível transcender quase como no sexo, com a peculiaridade que vai ser único. Outros beijos virão, poderão ser até melhores, com o conhecimento mútuo, com a perda da inibição que sempre atrapalha um pouco no começo. Mas nunca mais será um primeiro beijo.
Acho que todas as pessoas que são casadas, lá no fundo, gostariam de sentir essa emoção de novo. E não vejo mal nisso, por que não considero uma predisposição pra infidelidade. É só um desejo que provavelmente nunca vai se realizar, e talvez nem precise mesmo acontecer. Mas essas pessoas com certeza sentiram esse momento especial, e guardaram essa emoção com carinho. Se pudessem, voltariam no tempo para sentir de novo, com a mesma pessoa.
Felizmente, guardo na lembrança alguns primeiros beijos muito especiais. Momentos em que o tempo congelou, e assim vivi mais um pouquinho, aproveitei mais a vida, não só pelo tempo, mas também pela emoção.
Sim, por que quem conta o tempo só pelos ponteiros do relógio, não vive, apenas cumpre a vida. Quem vive de verdade, conta o tempo por momentos como esse, inesquecíveis, atemporais, eternos. Tão eternos quanto o tempo que dura um primeiro beijo...
domingo, 9 de novembro de 2008
Corro atrás do meu coração
Corro atrás do meu coração
Mas o danado sempre chega na frente
Acho que penso demais
Ele não. Só sente
Assim ele escolhe quem quer
Só fico sabendo depois
Como se apesar do mesmo corpo
Não fôssemos um, mas dois
Difícil mesmo é brigar com ele
Quase sempre tem a razão
Apesar de ser eu o racional
E ele ser só paixão
Nem sempre suas escolhas
São as que trazem felicidade
Mas nem por isso posso achar
Que ele age com maldade
Quem sabe um dia
Finalmente ele canse
E eu com muito esforço
Mas sem pressa o alcance
Não brigarei com ele
Por que olharei para trás
E verei uma vida de amores
E descansaremos, os dois, em paz...
Mas o danado sempre chega na frente
Acho que penso demais
Ele não. Só sente
Assim ele escolhe quem quer
Só fico sabendo depois
Como se apesar do mesmo corpo
Não fôssemos um, mas dois
Difícil mesmo é brigar com ele
Quase sempre tem a razão
Apesar de ser eu o racional
E ele ser só paixão
Nem sempre suas escolhas
São as que trazem felicidade
Mas nem por isso posso achar
Que ele age com maldade
Quem sabe um dia
Finalmente ele canse
E eu com muito esforço
Mas sem pressa o alcance
Não brigarei com ele
Por que olharei para trás
E verei uma vida de amores
E descansaremos, os dois, em paz...
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